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terça-feira, 19 de agosto de 2014

Verso




O além é o fim 
para quem nasce
e não se reconhece
no verso
um verso
o limite que define 
a contínua expressão
da linguagem 
de um poema
sem voz

Ouvem-se vozes roucas
de poetas 
mascarados 
de mares e céus 
de terra e fogo 
de gente que canta 
alegremente
e somente
em desvario se contrai
nos baixios de um rio

Alongam-se linhas
sobrepostas
à sua própria voz

Desfilam agora
todos os momentos
que deram voz
à ordem estabelecida
de um poema
afogado em prantos nus

Tu, meu verso inteiro
quanto de solidão
te firma poesia nascida
e criada nas vésperas
de uma noite em que foste 
terra, ar, água e fogo ?

Sopro

Segurei a tua mão
ensinei-te a caminhar 
descalço no meu jardim

Fui corrente demorada
no teu corpo. Alma em ti

E tu, não sabes
das manhãs claras
que são vida e sopro 
em mim

Dakini 2014

Porque

Porque a amizade é instantaneamente, muitas das vezes, um trato entre as partes comuns, envolvidas nesse mimetismo egocêntrico a coalhar os grossos modos abandonados no regaço.

Dakini

CD-Rom

As pessoas estão cada vez mais robotizadas, como se lhes tivessem introduzido um cd-rom na cabeça. 
Lamentavelmente caminhamos em direcção ao caos, desenraizados, desumanizados, empobrecidos.
Dakini

Ó Vida

Caímos e não sentimos o tamanho da queda tal a força imaginária que povoa os nossos sentidos desorientados.
Orientam-se as massas e levedámo-las para que sustentem este querer desmedido, este querer ser maior e mais alto a tocar a última estrela viva do Universo. Este querer ser mais além, um além distante, muito distante 
do lugar onde a vida espera por nós.
Ó vida!

Dakini

UM

Todos juntos somos Um, mas o "UM" é tão pequeno para muitos que preferem dividir-se em fragmentos esquecidos no Universo.



Dakini

quarta-feira, 2 de julho de 2014

"Almas no Teatro" no Lançamento de "Uivam os Lobos"


E porque as palavras voam.

E porque há Almas predispostas a fazê-las viajar por lugares incertos, até que repousem nos lugares certos. Neste caso, “Almas no Teatro” foram um elo de ligação entre muitas as que ainda ficaram presas na minha voz rouca.



 Vadias estão agora.


São um prenúncio de algo, desprovidas de emoção e até da razão quando pensam ainda coladas nos muros frios em volta dos grafitis pensados com imagens distorcidas, umas vezes, outras formando novas pontes entre o passado, o presente e o futuro.